segunda-feira, 5 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Crave
sábado, 5 de junho de 2010
Não o fiz apenas uma única vez na vida.
"Who cares what cowards think, anyway
They will understand one day, one day"
quinta-feira, 3 de junho de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Whatever you do in life will be insignificant, but it's very important that you do it 'cause nobody else will. Like when someone comes into your life and half of you says:
"YOU'RE NOWHERE NEAR READY".
And the other half says: "Make her yours forever".
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Veio de mansinho...
Tomou conta de mim
Delicadamente
Foi chegando assim:
"De mansinho
Como uma brisa
Que cruzou o meu caminho
E em mim desliza
Sem me aperceber
Foi entrando
Não consegui entender
O que estava a acontecendo
Veio calmamente
Não pediu autorização
E ficou lá permanente
Fala como quer
Só faz o que quer
Livre a comandar
O lugar onde está a viver
Sem poderes para lutar
Contra algo tão forte
Deixo-me ficar
Esperando pela sorte
Veio sem nem dizer
E lá se aconchegou
E eu sem saber o que fazer
Fico com medo do que entrou
Qual será a minha sorte
Com algo assim
Peço que me liberte
Mas continua dentro de mim
Entrou sem pedir
E deixou-me a delirar
Não sei se vai sair
Nem sei que nome lhe devo dar!
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Pedro
Vi um menino, com um piano,
No céu da minha cabeça,
Veio de tão longe, só para me pedir,
Que nunca o esqueça.
Vinha tocar o seu piano,
Como só nos sonhos pode ser,
Por entre as nuvens e as estrelas,
Apareceu, quando me viu, adormecer.
Ficou sentado, perto de mim,
Onde mora a fantasia,
Quis-lhe tocar, mas não se pode ter,
A noite a iluminar o dia.
Soprou devagarinho, uma estrela,
Que se acendeu na sua mão,
Disse-me podes sempre vê-la,
Se souberes soprá-la no teu, coração.
Vi um menino, com um piano,
A despedir-se de mim,
Como uma nuvem, fez o mar e partiu,
Nos sonhos pode ser assim.
Disse-me está a nascer o dia,
Vou p'ra onde a noite se esconder,
Volto com a primeira estrela,
Para tu nunca teres medo, ao escurecer.
Serás sempre o sonho, o anjo da tua mãe e a meia asa de todos nós.
Obrigado por tudo... e até um dia.
sábado, 31 de outubro de 2009
Nortada - Olga Roriz (sem palavras......)
Tudo nessa terra me é familiar apesar de tanta ser a distância e maior ainda a ausência.
Foi exactamente nesse lugar de confronto entre a incontornável distância e a profunda proximidade afectiva que nasceu, se desenvolveu e construiu esta peça.
Nortada situa-se num lugar invadido de nostalgia, de saudade, de intimidade.
Cada memória feita imagem é carregada de um simbolismo quase inocente como o olhar dessa criança que fui.
O cenário que nos reporta a dois espaços distintos, um exterior e outro interior está ao longo de toda a peça deliberadamente concentrado numa sala de jantar. Nesse local onde invariavelmente a família se junta.
Tudo nasce e se desenvolve a partir de uma refeição para no fim voltar a ela como um círculo sem fuga e aparentemente perfeito apesar de todas as vicissitudes."
Mais uma vez, saudades do que nunca tive.
Pena de quem nunca as poderá vir sequer a ter.
Como é possível a grandeza deste sentimento perante coisas que nunca vivi?
Talvez faça mesmo parte da alma lusitana essa tão aclamada e rara palavra chamada SAUDADE....

terça-feira, 27 de outubro de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Love?
Horrible isn´t it?
It makes you so vulnerable.
It opens your chest and it opens up your heart and it means someone can get inside you and mess you up.
You build up all these defenses.
You build up a whole armor, for years, so nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life...
You give them a piece of you.
They didn't ask for it.
They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore.
Love takes hostages.
It gets inside you.
It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like 'maybe we should be just friends' or 'how very perceptive' turns into a glass splinter working its way into your heart.
It hurts.
Not just in the imagination.
Not just in the mind.
It's a soul-hurt, a body-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain.
Nothing should be able to do that.
Especially not love.
I hate love.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.
HARUKI MURAKAMI
terça-feira, 31 de março de 2009
LISBOA
Se algum acidente obriga a demora, então a Geografia pega-nos pela mão e a História conduz-nos por corredores de penumbra, com um céu como um tecto, corredores atravessados por abertos em qualquer direcção, onde a luz entra como uma bofetada, e as súbitas visões cubistas, fragmentadas e densas, de detalhe agudo como fio de navalha – ou as massas compactas de grandes estruturas, os conventos, os palácios, algumas cúpulas ou agulhas que procuram o céu de Lisboa. E logo em movimento ascendente, ou do fundo de alguma depressão, o que os rodeia ganha largo respiro e aparece o Tejo, o Castelo, massas de verdura que os números de análise dificilmente revelam.
Passear em Lisboa: movimento ritmado por um pulsar contínuo e ardente – expansão, contracção – como o bater de um coração com olhos que vêem longe ou recebem o sopro protector dos muros de reboco fissurado, riscado pelo encosto, de cores não intensas, transparentes, misturadas semi-cerrando os olhos, cores em deslocamento, conduzindo a outra cota e a outra impressão.
Às vezes Lisboa recorda Veneza, junto ao rio, onde o terreno é horizontal, aqueles poentes longos e doirados, rosa, turquesa, névoa; ou a nitidez do fundo de um quadro flamengo e a minuciosa formação de cabeleira de um santo ou de um comerciante ou de uma Eva nua. Os telhados são alçados. Os edifícios de escritório desalinham-se, a paisagem ordena-os inexplicavelmente, não tanto como no Rio de Janeiro. Há algo de alemão, mas nunca áspero, nos bairros económicos do Estado Novo, delgadas bandas entre o verde dos pátios. O ornato como as pedras de calcário, ou de poluição. Desapareceram as velas brancas do Mar da Palha. Outros barcos o atravessam. Grossas colunas de gente apressada atravessam as passadeiras do Terreiro do Paço, somem-se entre carros estacionados, saídas do Cacilheiro, pisam as calçadas de Lisboa, em branco e preto, com desenhos supostamente antigos, calçadas que o hábil golpe de martelo aconchega, calçadas que mantêm o respiro do solo de Lisboa, tão pisado, aterrado, sugerindo civilizações desaparecidas.
Esta viela tem as janelas que gostaria de desenhar mas não posso, feitas por mão de projecto cortadas, tocos de que algo vai nascer. Ao longo da margem do rio, em bolsas recém-formadas, surgem portas nova-iorquinas em segunda mão, multidões na rua como em Madrid, turistas espanhóis e brasileiros, entre gente alheia ao bulício, que recolhe às 7:30 e parte às 7h30, enchendo as estações do metropolitano carregadas de azulejos e de pedintes. A grande massa do Centro Cultural acena aos seus pares – os conventos e os palácios – espera o rio e o momento de se diluir no casario, suporta o perfil móvel das arquitecturas. Cada novo traço remete inevitavelmente a um traço antigo. Passa o taxista de Tabucchi.
Lisboa apaga a outra cidade de que não falo e de que vive a primeira. Nas lojas emolduradas a calcário carregado de cicatrizes, ou nas periferias desoladas entre colinas e sobre colinas, persiste um apetite irreprimível de regeneração, o impulso dos cataclismos e da persistência, das populações marginadas, imigradas, adaptadas por uma alegria intensa de viver.
O ondulado das colinas desdobra-se como um tapete que alguém estende num gesto largo, desenho denso, pedraria de que emergem grandes volumes de uma simplicidade solene, grandes terraços, muros de suporte revestidos a gladíola; desdobra-se, percorre o rio, como em Travelling de respiração suspensa. O olhar perde-se no mar, a linha do horizonte estremece.
Porto, 1994
domingo, 29 de março de 2009
Primeiro Amor - BECKETT
Pelo meio do bar da Trindade, brilhante representação de Rui Cabrita e encenação de Sandro William Junqueira!
Teatro é a verdade escondida
Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais quotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.
Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espectáculos da vida diária onde os actores são os próprios espectadores, o palco é a plateia e a plateia, o palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver, tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida quotidiana.
Actores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

sábado, 7 de março de 2009
A mao no arado
É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
É triste no outono concluir
que era o verão a única estação
Passou o solidário vento e não o conhecemos
e não soubemos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encontrar o mar
e com que pontes com que ruas com que gentes com que montes conviver
através de palavras de uma água para sempre dita
Mas o mais triste é recordar os gestos de amanhã
Triste é comprar castanhas depois da tourada
entre o fumo e o domingo na tarde de novembro
e ter como futuro o asfalto e muita gente
e atrás a vida sem nenhuma infância
revendo tudo isto algum tempo depois
A tarde morre pelos dias fora
É muito triste andar por entre Deus ausente
RUY BELO
domingo, 1 de março de 2009
O metro
Num lugar como o metro, túnel escuro e sujo onde todos se cruzam sem se olharem, esta personagem conseguia a diferença, num espectáculo urbano que concentrava em si todos os olhares, antagónico ao seu pseudo lema de luto e solidão.
O ruído do metro a aproximar-se cortou repentinamente o silêncio cortante daquele espaço insípido e por momentos criou a sensação de que aquele vazio entre as pessoas, pesado há segundos atrás, não passara de uma ilusão de solidão.
Segui o mesmo caminho que a personagem até à porta em que entrámos e fitei-lhe o olhar, como que lhe dizendo não tenho medo de ti.
Entrámos. Sentámo-nos.
A música que eu ouvia no mp3, apenas me permitia observar os gestos. Gestos baloiçantes de pessoas embaladas pelo movimento do metro. Olhares silenciosos que se cruzavam uns com os outros, ocos ou repletos de questões.
À frente do gótico sentara-se um rapaz dos seus 8 anos que o olhava subtilmente, já com os apetrechos de um adulto, que sabe olhar sem expressão para esconder o que lhe vai na alma, como mandam os bons mandamentos da boa educação, mas ainda com um pouco de espanto e curiosidade a gritar por vezes mais alto. Seria ele um vampiro, questionava-se de certo. O sangue a escolher-lhe pelo canto da boca… É melhor não olhar para ele, senão ainda sou a próxima vítima!
Alguns bancos mais à frente um homem olhava fixamente para mim. Recostado no banco a olhar por entre o seu chapéu de cowbow, era do tipo de pessoa com quem não se pode comunicar através do olhar, com estrelas de testosterona a saltar-lhe pelos olhos.
Até que cruzei o olhar com a única pessoa que ia perto de mim, no banco em frente do lado esquerdo. Um olhar escuro, doce e triste. Perdido. Um cruzamento entre indiano e japonês, brasileiro talvez. Agarrava a cabeça com as mãos, tapando as orelhas como que não querendo ouvir eu estava a ouvir, alguém a gritar “Anytime you need love baby I'm on your side. Just let me be the one I can make it alright. I can make it alright”. Compreendo-te. Quantas pessoas já não to disseram antes? Começas a chorar. Olho para ti e escondes-te atrás da gola do casaco. Limpas as lágrimas com ela. Estás bem? quero-te perguntar. Mas não pergunto, sou como todas as outras pessoas que viajam neste metro, fechadas dentro do seu próprio silêncio, a quem o egoísmo e a vergonha comandam a vida. Parecem haver linhas que não se podem transpor. Muros atrás dos quais cada um de nós vive e às portas dos quais não se pode ousar bater. Todos tão perto mas tão incrivelmente sós.
Próxima estação: Marquês de Pombal.
O gótico levanta-se e o voo curvado da sua longa capa negra bate-me na perna. O metro pára. O gótico sai.
O rapaz intrigado enche a mãe com perguntas e esta ri-se olhando para mim, como se eu estivesse a ouvir a conversa.
O cowbow adormeceu. Acordou a sorrir, ainda a olhar para mim.
O indiano continua a chorar. É tão belo. Fascinam-me as pessoas que possuem um tanto de tantas terras. Interrogo-me se faria alguma diferença eu falar com ele. Algo na vida dele iria mudar? Por segundos que fosse? Ficarei sem saber.
Próxima estação: Baixa-Chiado.
Ele levanta-se, eu levanto-me, o rapaz e mãe levantam-se, todos os outros se levantam.
Vamos para sentidos opostos, porém ainda apenas com dois carris a separar-nos, enquanto esperamos a próxima carruagem. Ainda assim o nosso olhar continua a cruzar-se. Talvez tivesses mesmo tanto para dizer… para gritar. E apenas precisasses de alguém para o fazer. Mas o meu metro chegou, as portas abriram-se, eu entrei, as portas fecharam-se e o metro arrancou. E eu fiquei a ver-te desaparecer ao longe, como todas as outras pessoas que se cruzam connosco todos os dias.


